Edgar Morin
Pensamentos & Ideias
30-05-2026

As últimas ideias de Edgar Morin sobre o mundo em que vivemos

“Nada está estabelecido para sempre. Se você tem a democracia, não é para sempre, pode degenerar. Se acabou com a tortura, não é para sempre, pode voltar. Quer dizer, é preciso estar com as forças da regeneração e sentir a necessidade dessas forças de regeneração tonifica-me, faz-me bem e espero fazer o bem também.”
Entrevista ao canal brasileiro GloboNews, 23 de fevereiro de 2015

“Vivemos uma paz bélica, o corpo confortavelmente em paz, a mente entre bombas e escombros.”
Artigo no jornal “La Repubblica”, 3 de maio de 2022

“A democracia está em crise em todos os continentes: cada vez mais é substituída por regimes autoritários que, dispondo de meios digitais para o controlo das populações e dos indivíduos, tendem a criar sociedades submissas que poderíamos definir como neototalitárias. A globalização não criou nenhuma solidariedade e as Nações Unidas estão cada vez mais desunidas.”
Artigo no jornal “La Repubblica”, 24 de janeiro de 2024

“O progresso científico e tecnológico, que está a desenvolver-se prodigiosamente em todos os campos, é a causa dos piores retrocessos do nosso século. Foi esse progresso que permitiu a organização científica do campo de extermínio de Auschwitz; foi esse progresso que permitiu a conceção e fabricação das armas mais destrutivas, até a primeira bomba atómica; é esse progresso que torna as guerras cada vez mais letais; é esse progresso que, movido pela sede de lucro, criou a crise ecológica do planeta.”
Artigo no jornal “La Repubblica”, 24 de janeiro de 2024

“Nas últimas décadas, com a hegemonia da economia liberal globalizada, o lucro cresceu além da medida em detrimento da solidariedade e das convivências; as conquistas sociais foram parcialmente anuladas; a vida urbana degradou-se; os produtos perderam a sua qualidade (obsolescência programada, ou seja, defeitos escondidos); os alimentos perderam as suas virtudes: sabor e gosto. Certamente, muitos oásis de vida amorosa, familiar e fraterna, de amizade, solidária e lúdica, testemunham a resistência de querer viver bem. A civilização do interesse e do cálculo nunca poderá aniquilá-los.”
Artigo no jornal “La Repubblica”, 11 de fevereiro de 2024

“Na verdade, a rentabilidade pode ser obtida não com a robotização dos comportamentos, mas com o pleno uso da personalidade e da responsabilidade dos trabalhadores. A reforma do Estado deve ser pensada não como uma redução ou aumento dos parâmetros de produtividade, mas sim como uma desburocratização, ou seja, uma comunicação entre departamentos, iniciativas e interações constantes entre os níveis gerenciais e executivos.”
Artigo no jornal “La Repubblica”, 11 de fevereiro de 2024

“A globalização, com as suas possibilidades e sobretudo os seus perigos, criou uma comunidade de destino para todos os seres humanos. Devemos enfrentar, nós todos, a degradação ecológica, a proliferação das armas de destruição em massa, a hegemonia das finanças sobre os nossos estados e os nossos destinos, o crescimento de fanatismos cegos, o retorno da guerra na Europa.”
Artigo no jornal “La Repubblica”, 11 de fevereiro de 2024

“Enquanto o planeta está entregue a processos regressivos que parecem implacáveis – a hegemonia do lucro, a degradação ecológica, as guerras, as múltiplas crises ligadas a uma policrise... –, uma elite tecnocrática californiana ressuscitou e depois globalizou uma crença no progresso baseada nos sucessos da ciência. Estes ideólogos prometem tanto a imortalidade, uma sociedade perfeita regulada pela inteligência artificial, como a continuação da aventura humana em planetas colonizados, a começar pela Lua e Marte: o transumanismo tornando-se pós-humanismo.”
Artigo na revista "Le Nouvel Observateur", 6 de outubro de 2024

"O verdadeiro progresso de que a Humanidade necessita é o da compreensão humana, da benevolência, da solidariedade, da amizade; nesta área houve apenas progressos parciais e provisórios, no meio de uma regressão generalizada. O paradoxo é que não só o progresso material não é acompanhado por qualquer progresso moral, como também os inúmeros conhecimentos que se multiplicam permanecem separados e compartimentados, sem conduzirem a um pensamento capaz de enfrentar os problemas humanos fundamentais."
Artigo na revista "Le Nouvel Observateur", 6 de outubro de 2024

“Houve um tempo – não muito longe – onde poderíamos ter previsto uma mudança de rumo. Agora parece tarde demais. Claro, o inesperado pode acontecer. Não sabemos se a situação mundial é apenas desesperadora ou realmente desesperada. Isso significa que, com ou sem esperança, com ou sem desespero, temos que passar para a resistência.”
Artigo no jornal “La Repubblica”, 24 de janeiro de 2024

“A resistência também implica salvaguardar ou criar oásis de comunidades dotadas de uma relativa autonomia (agroecológica) e de redes de economia social e solidária. A resistência também implica a coordenação de associações que se dediquem à solidariedade e à rejeição do ódio.”
Artigo no jornal “La Repubblica”, 24 de janeiro de 2024

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